Os meus olhos, de amor mensageiros,
De vossa luz se nutrem docemente;
E em raios puros, claros e certeiros,
Mostram no peito o fogo que se sente.
Se a voz se cala em silêncios primeiros,
A vista fala, ardendo tão presente,
Que mais revelam olhos verdadeiros
Do que palavras vãs de frágil mente.
Ó doce causa de minha ventura,
Se em vós repousa a glória do viver,
Deixai que o olhar declare a formosura.
Pois quem deseja em versos vos dizer,
Apenas logra imitar tal candura,
E nos olhos acha o modo de querer.
Maria Antonieta Matos











