Não
quero saber das rugas, ignora,
Foram inventadas no meu rosto,
São mapas de um tempo que chora,
Como as sombras tristes ao sol-posto.
Não
me falem de traços, escurecidos
Nem dos sulcos que o riso deixou;
Eles são memórias de sonhos perdidos,
Não as marcas da dor que sobrou.
Prefiro
lembrar das horas inteiras,
Dos dias sem peso, sem fim.
As rugas são ondas no rosto,
Mas meu mar tem vida em mim.
Não quero saber das rugas,
São marcas de alma, nada mais,
Deixo-as quietas, esquecidas,
Nas memórias ancestrais.
2024 Maria Antonieta Matos

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