24 dezembro 2013

TERENA

Corri por ti, caminhos não desbravados
Brinquei, cantei, chorei e sorri alegremente
Vibrei bailando, aqui ficámos enamorados
Não esquecerei pedaços de nós na minha mente

Em cada passo cambaleando fui descobrindo
Cada passagem, cada nome emaranhado
Uma gracinha para a família, enternecida
Quando balbuciava cada palavra, destorcida

À luz da candeia contando histórias, me encantei
No silêncio cantavam grilos na noite de breu
Palmilhei lugares sonhando a realidade que criei

Ou amedrontada no leito rebolava ansiosa
Temendo do sonho que o momento teceu
Sonolenta, soluçando, acordava duvidosa.

22-06-2013  Maria Antonieta Matos


A FEIRA

Oiço os burburinhos de gente, na rua a passar
O estrondo duma porta que parece fechar
O barulho da feira misturando a música e as vozes
Sinto os cheiros e o trepidar da sardinha a assar

O corpo e o pensamento, induz-me a desanuviar
Calcorreio na calçada até à feira, que fica a um passo
Paro e pasmo para  ver a criançada a delirar
E a gente animada, outra enjoada às voltas no ar

O pó espalha-se como uma nuvem, torvando as vistas
A pedrinha entra no sapato novo e começa a picar
Fico pressionando o pé no chão até ela se soltar

Com folgo ainda, percorro cada exposição de artistas
Cada mostra de saberes, e engenhos me vêm mostrar
Arte tendenciosa que leva sem querer no momento a comprar

22-06-2013  Maria Antonieta Matos